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Aqui estou eu, solidão
Depois de uma nova ilusão
Volta tentando buscar
A paz que a paixão não me dá
Você, solidão,sempre foi meu começo de vida
E é fácil encontrá-la de noite num canto de bar
Vejo encostado ao balcão
Alguém em igual condição
Ouço um piano tocar
Lembranças se espalham no ar
A quantos assim como eu
Você serve de companhia
Consolo na noite vazia
Pra quem quer chorar

E eu choro
Por tudo que rememoro
Lavo o meu peito e melhoro
Encho o meu copo e o devoro
Tirando essa angustia de mim
Depois canto
Limpo os vestígios do pranto
Pago a despesa e levanto
E vou sair por aí
Pelas ruas da noite sem fim
Saciado
No rosto um vento gelado
Apunhalando o passado
Reconstituindo a vida
Mais leve
Mostrando a dor como é breve
Quando você, solidão
Me faz sentir em paz

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz
não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai

Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar

Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer

Dica de @jorgeroesener e @ninha_diegues

Composição: Cartola e Carlos Cachaça

Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre
O meu sorriso é por consolação
Porque sei conter para ninguém ver
O pranto do meu coração

O que eu sofri por esse amor, talvez
Não compreendeste e se eu disser não crês
Depois de derramado, ainda soluçando
Tornei-me alegre, estou cantando

Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre
O meu sorriso é por consolação
Porque sei conter para ninguém ver
O pranto do meu coração

Compreendi o erro de toda humanidade
Uns choram por prazer e outros com saudade
Jurei e a minha jura jamais eu quebrarei
Todo pranto esconderei

Melancolia (Ludov)

Saiu de mim a melancolia
Já me deixou
já não choro um dia
pelo seu amor que eu perdi
Meu amor
já me deixou
saiu de mim

O que restou?

Na escrivaninha um retrato já amarelou
e na sala junto à cozinha
um bilhete em uma porta diz
“Meu amor,
já volto já
seja feliz.”

O que dizer se toda a alegria
foi pouca pra dissolver
a monotonia?
Já que tudo que eu podia eu fiz
meu amor
foi bom tentar
foi por um triz

06 – Ludov – Melancolia.mp3

Muitas vezes não sei o que dizer
Mas não há palavras que possam descrever
Quando estou com você.
E quando cruzo seu olhar
Seus olhos castanhos me fazem perceber

Que não ter você
Me faz sofrer mas também traz a inspiração
Para aprender
Que amores impossíveis sempre vem e vão.

Mesmo sem você
Prosseguirei com minha vida sempre feliz
Pois guardarei eternamente a lembrança
de que seus olhos castanhos,
simplesmente,
estão olhando pra mim.

Samba, agoniza mas não morre
Alguém sempre te socorre
Antes do suspiro derradeiro

Samba, negro forte destemido
Foi duramente perseguido
Nas esquinas, no botequim, no terreiro

Samba, inocente pé no chão
A fidalguia do salão
Te abraçou, te envolveu
Mudaram toda a sua estrutura
Te impuseram outra cultura
E você nem percebeu

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim.

Meu mundo é hoje não existe o amanhã pra mim
Eu sou assim, assim morrerei um dia.
Não levarei arrependimentos nem o peso da hipocrisia.
Tenho pena daqueles que se agacham até o chão
Enganando a si mesmo por dinheiro ou posição
Nunca tomei parte desse enorme batalhão,
Pois sei que além de flores, nada mais vai no caixão.

12-Meu mundo é hoje.mp3

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta

Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida….

milton nascimento – maria, maria.mp3

Ai, quem me dera
O meu chorinho
Tanto há tempo abandonado
E a melancolia que eu sentia
Quando ouvia
Ele fazer tanto chorado
Ai, nem me lembro
Há tanto, tanto
Todo o encanto
De um passado
Que era lindo
Era triste, era bom
Igualzinho a um chorinho
Chamado Odeon

Terçando flauta e cavaquinho
Meu chorinho se desata
Tirando a canção do violão
Nesse bordão
Que me dá vida
E que me mata
É só carinho
O meu chorinho
Quando pega e chega
Assim devagarzinho
Meia-luz, meia-voz, meio tom
Meu chorinho chamado Odeon

Ah, vem depressa
Chorinho querido, vem
Mostrar a graça
Que o choro sentido tem
Quanto tempo passou
Quanta coisa mudou
Já ninguém chora mais por ninguém

Ah, quem diria que um dia
Chorinho meu, você viria
Com a graça que o amor lhe deu
Pra dizer “não faz mal
Tanto faz, tanto fez
Eu voltei pra chorar com vocês”

Chora bastante meu chorinho
Teu chorinho de saudade
Diz ao bandolim pra não tocar
Tão lindo assim
Porque parece até maldade
Ai, meu chorinho
Eu só queria
Transformar em realidade
A poesia
Ai, que lindo, ai, que triste, ai, que bom
De um chorinho chamado Odeon

Chorinho antigo, chorinho amigo
Eu até hoje ainda persigo essa ilusão
Essa saudade que vai comigo
E até parece aquela prece
Que sai só do coração
Se eu pudesse recordar
E ser criança
Se eu pudesse renovar
Minha esperança
Se eu pudesse me lembrar
Como se dança
Esse chorinho
Que hoje em dia
Ninguém sabe mais.

Essa música foi composta originalmente para sala de espera do antigo Cine Odeon no Rio de Janeiro. A letra foi composta por Vinícius de Moraes a pedidos de Nara Leão, que gostaria de cantar a linda melodia desse consagrado Choro.

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