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Deus me inventou pra desespero do diabo
Eu fiz do samba Catedral do Inferno
Louca, muito louca, endoidecida
Vou fazendo desta vida
Tudo aquilo que bem quero

Quem é homem de bem
Não trai!
O amor que lhe quer
Seu bem!
Quem diz muito que vai
Não vai!
Assim como não vai
Não vem!…

Quem de dentro de si
Não sai!
Vai morrer sem amar
Ninguém!
O dinheiro de quem
Não dá
É o trabalho de quem
Não tem!
Capoeira que é bom
Não cai!
E se um dia ele cai
Cai bem!…

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará…

Se não tivesse o amor
Se não tivesse essa dor
E se não tivesse o sofrer
E se não tivesse o chorar
Melhor era tudo se acabar

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará…

Hê! Hê! Camará!

Olha, esta saudade
Que maltrata o meu peito
É ilusão
E por ser ilusão
É mais difícil de apagar

Ela vai me consumindo
Lentamente
Ela brinca com meu peito
E leva sempre a melhor

Eu quis fazer com ela
Um contrato de separação
Negou-se então a aceitar
Sorrindo da minha ilusão

Só tem um jeito agora
É tentar de vez me libertar
Brigar com a lembrança
Pra não mais lembrar

Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It’s good to warm my bones beside the fire
And far away across the fields
The tolling of the Iron Bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

_______________________________________

Em casa, em casa novamente
Eu gosto de estar aqui quando posso
Quando eu chego em casa com frio e cansado
É bom aquecer meus ossos ao lado do fogo
E lá longe, além dos campos
A badalada dos Sinos de Ferro
Chamando os fiéis a se ajoelharem
Para ouvirem os feitiços mágicos suavemente recitados.

Filosofia (Noel Rosa)

O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

Esse seu beijo me deixou muito contente
Mas meu coração não para de chorar.
O meu sorriso, desonesto, não me engana
Quado um falso amor me chama sob a luz do luar.
Mas a noite me protege em suas sombras
onde fico sozinho, sozinho a cantar.

Talvez pense de mais
Não sei dizer
Talvez a minha paz,
Deva lhe pertencer.

Pra mim tanto faz
Como tanto fez
Só enxergamos o que queremos ver.

O sol nascerá, para iluminar
Nossas escolhas feitas na escuridão
E só espero aprender com os meus erros,
Conquistar os meus desejos e curar meu coração.
Te espero, no fim dessa jornada
Se provares que erradas minhas lágrimas de amor.

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Minha (Cartola)

Minha
Quem disse que ela foi minha
Se fosse seria a rainha
Que sempre vinha
Aos sonhos meus

Minha
Ela não foi um só instante
como mentiam as cartomantes
como eram falsas as bolas de cristal

Minha
Repete agora esta cigana
Lembrando fatos envelhecidos
que já não ferem mais os meus ouvidos

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Poesia indicada pelo amigo Artur Jorge Diegues Gomes

O Anjo (Mario Quintana)

Onde quer que você esteja
agora, veja que a esta hora
alguém chora em algum lugar
porque você foi embora.

Mas sei que você continua
por aí nesse universo
achando rima pra versos
de humor e melancolia.

Perplexo feito criança
diante de cada mistério
sua sutil sabedoria
nota coisas tão pequenas
que outro não notaria.

E aqueles que ficaram
por aqui, nessa passagem,
notam no céu esse anjo
que você sempre escondia
e desejam boa viagem.

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